' Quantitas | Sala de Imprensa

A revisão para baixo nas expectativas para a inflação deste ano foi provocada pela revisão tarifária da AES Eletropaulo, e ainda não contempla a piora recente na trajetória dos alimentos. A avaliação é de João Fernandes, economista da Quantitas Asset Management, primeira posição nas instituições Top 5 de curto prazo de maio, grupo que mais acerta projeções para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Segundo o boletim Focus, divulgado hoje pelo Banco Central, o consenso de mercado para a alta do IPCA em 2016 recuou de 7,29% para 7,27% entre a semana passada e a atual, enquanto para o próximo ano diminuiu de 5,50% para 5,43%. Mais pessimista, Fernandes trabalha com aumento de 7,8% do indicador oficial de inflação neste ano, alta que deve ceder para 5,7% em 2017. A previsão da Quantitas também está acima da mediana do Top 5 de curto prazo, de 7,39% e 5,5% para 2016 e 2017%, respectivamente.

"Por mais que a inflação de 2016 não seja incluenciada pelos reajustes de preços monitorados ocorridos em 2015, vemos aumentos bem expressivos e alguns segmentos e problemas severos nos alimentos", observa Fernandes. O começo do ano foi bem difícil na parte de alimentação e a gestora antecipa novas pressões em julho e agosto, que podem elevar as estimativas do mercado para o IPCA desdes dois meses.

Segundo o economista, o índice deve subir 0,53% nesde mês. A previsão mediana do Focus contempla avanço de 0,38% no período. esse número deve ser revisto para cima, afirma ele, uma vez que as coletas diárias de preços mostram que a alta dos alimentos só vem acelerando, influenciada por itens como gãos, leite e também carnes. "Os monitores apontam que a inflação de alimentos vai ficar entre 1,5% e 2% este mês, quando todo mundo previa alta de 0,5", disse.

As estimativas do Focus, comenta Fernandes, são um pouco defasadas. Por isso, a aceleração dos alimentos ainda não foi incorporada às projeções, que foram afetadas nos últimos dias pela redução de 7,3% nas tarifas residenciais de energia da Eletropaulo em julho. Em sua avaliação, o nível mais valorizado de câmbio já está sendo levado em conta nas previsões de inflação, mas a expectativa é que o real volte a se desvalorizar daqui até o fim do ano, encerrando 2016 em R$ 3,50.

"Deve haver algum grau de desvalorização cambial no fim do ano por conta de dificuldades no campo fiscal. Acho que vai ser mais difícil que o governo implemente as medidas que está colocando na mesa", afirma o economista, para quem a nova postura mais comprometida do Banco Central com a convergência da inflação ao centro da meta, de 4,5%, também é outro risco de que a política monetária seja mais austera do que o mercado antecipa.

No cenário da Quantitas, a taxa Selic vai começar a cair em outubro e encerrará 2016 em 13,25% e 2017 em 10% ao ano. Como, no entanto, as estimativas da autoridade monetária para a alta do IPCA em 2017 estão ainda acima de 5%, e o novo presidente da instituição, Ilan Goldfajn, disse estar comprometido em entregar a inflação na meta no próximo ano, existe o risco de que a redução dos juros comece somente em novembro, ou mesmo no ano que vem, diz.

De qualquer forma, pondera Fernandes, o IPCA terá desinflação relevante no próximo ano devido à recessão, que reduziu a pressão inflacionária vinda dos serviços, e à melhora das expectativas do mercado, que também se reflete no nível preços corrente.

Fonte: Valor Econômico